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Filigrana de Aplicação e Filigrana de Integração

O Repertório das Atividades Artesanais define a técnica da filigrana como o “processo que visa obter fios finíssimos a partir de uma barra de ouro ou de prata, os quais são depois torcidos manualmente originando um cordão serrilhado.” O fio é curvado, enrolado e entrelaçado até se obter o efeito desejado. Existe também a filigrana de aplicação (para decorar/encher outras peças) e a de integração (peça completamente feita em filigrana). De facto, a filigrana começou por ser uma técnica de aplicação em jóias pré-existentes, meramente decorativa e, aos poucos, foi-se impondo, constituindo ela própria, uma peça individualizada e esteticamente valorizada. Efetivamente há duas correntes que têm acompanhado a produção de filigrana ao longo dos tempos: numa primeira fase e até ao século XIX, a filigrana aparece aplicada em peças de ourivesaria, como adorno ou decoração de artefactos luxuosos, muitas vezes combinada com pedras, esmaltes e outras decorações. Trata-se da técnica de aplicação, onde a filigrana não tinha o papel principal, antes era aplicada em jóias pré-existentes contribuindo para a sua decoração e valorização estética.

A partir do século XIX, a filigrana encontra-se cada vez mais frequentemente como técnica de integração, mais complexa e tecnicamente mais exigente, construindo peças individualizadas e valendo por si só (sobre uma armação, o filigraneiro tece com fios finíssimos e delicados toda a obra).

Encher uma peça significa preencher os espaços vazios da armação/esqueleto com o fio da filigrana. O fio que enche as peças é torcido, achatado e adelgaçado de forma a enrolar-se em "S", espirais e em rodilhões (Póvoa de Lanhoso) ou crespos (Gondomar), escamas, caracóis, caramujos e cornucópias. Para enrolar o fio, este é preso numa pinça ou buchela de ourives (em Travassos) e com movimentos giratórios vai-se enrolando o cordão até fechar os vazios da armação. Este processo de enchimento das peças, trabalho artístico propriamente dito, é feito essencialmente por mulheres, cuja leveza e agilidade de movimentos é associada à persistência e paciência que tornam possíveis estas obras de minúcia e renda.






“As Filigranas”, Rocha Peixoto, 1908

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