O Azulejo

O Azulejo é uma das expressões mais fortes da Cultura em Portugal.

O nome vem do árabe e ganhou tradição em terras Portuguesas.

De origem egípcia, a arte da azulejaria criou raízes na península Ibérica por influência dos árabes, que para as terras conquistadas, trouxeram os mosaicos para ornamentar as paredes dos seus palácios conferindo-lhes o brilho e ostentação, através de um jogo geométrico complexo. O estilo fascinou espanhóis e portugueses. 

Os artesãos pegaram na técnica mourisca, que levava muito tempo, simplificaram-na e adaptaram os padrões ao gosto ocidental.

 

O azulejo tem 500 anos de produção nacional e é caso único como elemento decorativo e arquitectónico.

Em Portugal, o azulejo começou a ser fabricado com características próprias da cultura e história portuguesas e, desde então, o seu uso foi de tal modo generalizado que se torna difícil encontrar algum edifício de certa categoria, construído durante esse longo período, igreja, palácio, solar, etc., no qual não tenha fachada em azulejo.

Mantendo os princípios básicos, esta técnica evoluiu enormemente, permitindo a sua aplicação no fabrico de diversos componentes usados nas tecnologias mais avançadas.

 

Séc. XIX

O Azulejo de padrão, de menor custo, ganha mais visibilidade e sai dos palácios e faz igrejas para as fachadas dos edifícios.

A Paisagem urbana ilumina-se com a luz reflectida nas superfícies vidradas. A produção azulejar é intensa, produzida por fábricas de Lisboa - Viúva Lamego, Sacavém, Constância, Roseira - e do Porto e Gaia - Massarelos, Devesas.

Concentrando-se no Porto e Lisboa, no norte é característico o recurso a relevos pronunciados, num gosto pelo volume e pelo contraste de luz e sombra; no sul mantêm-se os padrões lisos de memória antiga, para uma quase ostensiva aplicação exterior nas fachadas.

 

Séc. XX

No Porto, o pintor Júlio Resende constrói desde 1958, também em articulação com modernos projectos de arquitectura, uma importante actividade de ceramista, composições figurativas em azulejo e placas cerâmicas culminando no seu imenso painel Ribeira Negra, de 1985.

Por esta altura, são de referir desde logo os artistas Rafael Bordalo Pinheiro, com produções diversificadas, e Jorge Barradas, impulsionador da renovação no domínio da cerâmica e do azulejo. Em meados do século, Maria Keil realiza um vasto trabalho para as estações iniciais do metropolitano de Lisboa

A tradição fez-se ainda mais popular, apresentando-se como solução decorativa para cozinhas e casas-de-banho, numa prova de resistência, inovação e renovação desta pequena peça de cerâmica.

 

Para preservar e estudar a azulejaria portuguesa foi criado o Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa.